quarta-feira, 16 de junho de 2010

Edir Macedo, Russel Sheed e Paganelli em cruzeiro


Por Leonardo Gonçalves

Os cruzeiros religiosos estão na moda. Ou é isso, ou então era eu que morava na lua e não via essas coisas acontecendo aqui no nosso planeta.

Faz alguns dias que Jonara me informou sobre um cruzeiro gospel, organizado pelo mega-bispo e dono da Igreja (sic) Universal, Edir Macedo, com a presença de várias vozes ungidas e extravagantes. A promessa era de apresentações de grandes nomes da musica gospel, o que justificaria o preço exorbitante do boleto de viagem.

Uma semana depois, soube de outro cruzeiro (este católico). A bordo, ninguém menos que ele, o padre galã que tem deixado as irmãzinhas com as emoções afloradas, Fábio de Melo. Segundo o que entendi, o cruzeiro era um tipo de um pré-carnaval, uma “micareta católica” por assim dizer. O consumo de álcool foi liberado, desde que com moderação. Depois da farra, para ficar de bem com Deus, os tripulantes podiam rezar o terço com a atriz Myriam Rios. Aleluia!

Ontem foi o portal OGalileo que publicou a notícia de um cruzeiro teológico. À bordo, grandes nomes da teologia brasileira, como Russel Sheed e Luiz Sayão. No louvor, André Paganelli com seu sax,Rayssa e Ravel cantando sertanejo gospel e Ministério Nova Jerusalém com muito mantra extravagante. [clique aqui e leia a notícia completa]

Sinceramente? Eu não iria a um cruzeiro pelo momento, tanto por razoes financeiras, como por questão de prioridade, mas também não posso condenar ninguém por gastar seu dinheiro como bem entender. Choca-me, no entanto, o fato do nome de Jesus estar sendo usado para promover este tipo de turismo. Chamadas como: “Venha participar deste maravilhoso cruzeiro evangélico, onde a unção de Deus se fará presente de maneira poderosa”, me causam indignação e repulsa. Penso que estes merchandisings com o nome do Senhor e seu evangelho são ultrajantes, e não deveriam jamais ser usados.

Mas o cruzeiro não faria sucesso se não houvesse quem pague (e caro!) por três dias na companhia do seu ungidão favorito. O palhaço só faz sucesso por conta da platéia, e assim, enquanto milhões de pessoas morrem de fome todos os dias, a cristandade passeia pela orla do país em navios luxuosos, totalmente alheios aos dramas sociais dos seus contemporâneos.

E
você, amigo leitor, o que pensa de tudo isso?

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Postou Leonardo Gonçalves, no Púlpito Cristão