quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Encher e esvaziar


A palavra portuguesa ‘enfatuar’ não é comumente usa por nós. Significa encher-se de orgulho ou vaidade. Este é também é o sentido da palavra grega “tuphoō” que quer dizer literalmente “envolver com fumaça”. Imagine algo pegando fogo e a fumaça preenchendo o ambiente. Da mesma forma algumas pessoas se comportam em relação aos seus próprios egos – elas sentem necessidade de se inflar, dominar o ambiente e subir cada vez mais alto.

Em um mundo competitivo onde vale a lei do mais forte e o sucesso é buscado a qualquer custo, as pessoas acabam por alimentar mais atitudes egoístas do que altruístas. São tempos nos quais o individualismo está presente em tudo: nos relacionamentos, nos interesses, nos sonhos, nos objetos, inclusive na fé!

A igreja de Corinto enfrentou um grave problema nesse sentido. Na celebração da Santa Ceia, que naquele tempo era praticamente uma refeição, muitos se adiantavam e não deixavam comida para os outros – que acabavam passando fome pois não tinham sequer alimento em casa. Outros até mesmo se embriagavam com o vinho. O apóstolo Paulo exorta os crentes a discernirem o corpo, ou seja, exercerem responsabilidades éticas altruístas no Corpo de Cristo, que é a igreja. (1 Coríntios 11.21,22).

Hoje o mesmo mal aflige nossas igrejas. Para começar, usamos mais o pronome “eu” do que “nós”: ‘Eu’ vou à igreja para me sentir bem. ‘Eu’ vou à igreja para ser servido. O culto tem que ser agradável ‘a mim’. E assim, somos capazes de cantar “… aliança do Senhor eu tenho com você” de olhos fechados e mãos para o alto – o ‘eu’ nos basta.

“Se o pastor pregar algo que vá contra algum ponto de ‘minha’ vida em específico, procuro outra igreja”. Quebrantamento e arrependimento, culto agradável a Deus e esvaziamento do ego pecaminoso não estão presentes nessa concepção pós-moderna de ‘culto-show’.

Verificamos também o inflar dos egos na luta pelo poder especialmente nos altos escalões evangélicos. As intermináveis brigas entre pastores e ministérios, disponíveis no Youtube para quem quiser ver, são exemplos disso. Tempos difíceis, onde até mesmo “os homens de Deus” andam mais cheios de si do que do Senhor.

Ao invés de nos inflar-nos com vã glória, devemos encher nossa vida da presença de Deus. “Enchei-vos do Espírito” é o imperativo em Efésios 5.18. E quando isso acontece algo inverso também ocorrerá. A vida que se enche do Espírito Santo, ao mesmo tempo, esvazia-se do egoísmo e do individualismo. Poderemos dizer então como João (3.30), “Convém que ele cresça e que eu diminua.”. Esse processo tem ocorrido em nossas vidas?

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